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14
jun

Virtual x Presencial

O post dessa semana foi inspirado nos adventos naturais que recentemente castigaram cidades no Brasil e também no exterior. Foi triste ler que simultaneamente São Paulo, Rio, Paris e cidades na Alemanha tiveram áreas severamente afetadas pelas chuvas, parte delas chegando a ficar submersas.

A combinação das chuvas e ventos fortes geraram muitos transtornos. Alagamentos, destelhamentos, perda de móveis, imóveis, e muitos outros bens materiais, sem contar o maior bem que alguém pode perder, a própria vida.

Entre os problemas mais comuns, bairros inteiros ficaram horas a fio sem energia elétrica.  Nem todos têm o privilégio de dispor de geradores e mesmo os que tem, normalmente não suprem 100% da dependência deste recurso e do que ele provêm na integra.

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Surgiram então em minhas rodas de conversas comentários e insights interessantes.  Muita gente focou na dificuldade em conviver sem geladeira, micro, água quente, mas o item do qual mais se sentiu falta disparado foi da internet. Mas o que de tão importante há neste maravilhoso mundo da internet para se tornar o item do qual mais se sentiu falta? Sem querer aprofundar demais neste tema penso que a variedade e a instantaneidade com que se consegue as coisas, esse é o ponto nevrálgico.

Meu contraponto aqui é recorrente. Sem internet não haveria Facebook, Instagram nem Whatsapp ou Tweeter… isso seria um desastre, afinal eles têm e trazem um sem fim de benefícios e facilidades, mas por outro lado será que as pessoas não teriam mais contato humano?

Voltando ao caso dos transtornos naturais, sem energia elétrica e portanto sem internet, empresas e famílias se viram numa situação inusitada, na de que a única forma de comunicação por um espaço de tempo mesmo que limitado era a verbal. Sim o bom e velho conversar. É bizarro falar isso mas falar e se relacionar presencialmente exige treino como qualquer outra atividade. E da mesma forma, quanto mais pratica, melhor.  Você já avaliou se sabe realmente conversar, se relacionar de forma plena com os outros? Com seus pais, filhos, namorados, pares na empresa? O quão profunda são essas relações? Ao entrar no elevador você cumprimenta os que lá estão ou fica com o rosto fixo e colado na tela de seu celular? No meio de reuniões, happy hours ou mesmo de um café com amigos você consegue deixar as mensagens de lado e se focar naquele encontro presencial integralmente?

Para a falta da luminosidade: velas, lanternas e luzes de emergência; para a falta do calor no senso aquecimento: gás, lenha ou lareira: Para a falta de contato humano: isolamento, tristeza, depressão….

Não me considero um heavy user de tecnologia, mas dependo da internet e do celular para quase tudo e mesmo assim bato incansavelmente na tecla de que precisamos dosar melhor as coisas. Equilíbrio no virtual e no presencial fazem de nós pessoas melhores. Acredite!

Boa reflexão, boa semana e muitos mais relacionamentos presenciais de qualidade são meus votos a você!

De brinde e abaixo da assinatura 1 vídeo e link com uma matéria que tratam do tema de formas diferentes:

https://www.youtube. http://www.infonet.com.br/noticias/educacao//ler.asp?id=160361com/watch?v=YLkqY5e9518

 

 

 

 

7
jun

Alinhando valores

Interessante observar como as culturas e as gerações são diferentes. Quando familiares, amigos ou conhecidos fazem aniversário mando uma mensagem via WA, FB ou ligo, essa última a minha opção preferida.

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Faz pelo menos uns 15 anos que não envio um cartão físico via correio. Aliás, isso me remete ao advento da substituição paulatina dos cartões de natal tão apreciados e que enchiam meu escritório de cores e formas outrora, dando lugar ás mensagens virtuais. Além da praticidade, o custo sem dúvida foi e é um fator preponderante para essa mudança. Mas confesso, gosto e muito quando recebo algo (que não sejam contas, multas ou propagandas) pelo correio. Tem um ar nostálgico, um tanto quanto romântico. Muitas vezes o grande prazer num caso desses é a surpresa, o inesperado. Me parece menos descartável, menos instantâneo…algo para pegar, reler, mostrar aos outros. Tem para mim um valor diferenciado, e vamos avançar no tema valores mais adiante.

Feito o interregno não é que recebi um cartão de aniversário pelo correio?! Mas a surpresa não parou por ai, dentro dele além dos votos feitos pelos remetentes, um casal amigo que mora no Canadá, veio um cheque de 250 dólares canadenses…wow!   Imediatamente encontrei duas opções para o consumo daquele dinheiro imprevisto, afinal era um presente para comemorar uma data pra lá de especial e queria fazer valer cada centavo. Trocar minha bota de trilha ou o pneu traseiro da moto, ambos já em estado calamitoso.

 

A questão então era como trocar esse cheque? Apelei para uma amiga que tem uma agencia de viagens que me deu algumas dicas, mas ao percorrê-las já comecei a sentir que o processo seria burocrático e moroso. Logo aprendi que se fossem notas e não um cheque tudo seria mais fácil, se fossem dólares americanos então, seria uma verdadeira baba.

No fim das contas resolvi trocar o cheque no meu banco mesmo pois me parecia a alternativa mais conveniente, afinal sou cliente preferencial e em tese com algumas regalias. Cumprida a parte burocrática ao telefone, o próximo passo seria levar o cheque á agencia pessoalmente e dar andamento ao processo.

Duas semanas depois, surgiu uma brecha entre uma reunião e outra e finalmente fui a agencia. Estacionamento gratuito, um esquema de segurança para entrar a lá consulado americano, muitos funcionários, muito mais do que clientes, um lounge elegante composto por poltronas confortáveis, máquina de café expresso com opções para todos os gostos, chá, água, jornal do dia, tv na Globo news para que clientes se mantenham atualizados das ultimas noticias, enfim, ambiente mais para a recepção de um bom boutique hotel do que de um banco.

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Bom atendimento e tudo dentro do esperado até que um detalhe me chamou a atenção. Ao esgotarmos as formalidades a atendente me informou que devido ao prazo para a consolidação desta operação (até trinta dias) eu deveria contatá-la posterior e sistematicamente até que tudo estivesse encerrado. Como sou muito ligado em prestação de serviço achei aquilo estranho, afinal sou o cliente e um preferencial. Será que um banco que investe tanto em ambientes exclusivos, em imagem através de campanhas publicitárias milionárias, em ferramentas de controle dos mais sofisticados não tem como monitorar o processo de um cliente, ser pró ativo e contatá-lo ao invés de pedir o inverso? De mais a mais estou pagando pelo serviço…Não sei se por educação, susto ou por se alinhar com os meus argumentos a atendente concordou que não fazia muito sentido, mas mesmo assim nada mudou, ou seja, tive que enquadrar num processo burrocratico, sim a junção de burro e burocrático. Com isso agendei o famoso follow up para correr atrás de saber a quantas anda a troca do cheque para receber meu suado dinheirinho.

Talvez eu esteja exagerando um bocado com algo tão pequeno, mas realmente me sinto incomodado quando grandes corporações erram de problema e permitem que detalhes como o relatado acima deixem parte de sua clientela insatisfeitos. Juro que preferiria um ambiente menos sofisticado em troca de um processo mais eficaz e que me desse a real sensação de que meu tempo e minhas prioridades são importantes. O famoso menos é mais!  Sai um tanto frustrado com a situação e cada vez mais me convenço de que a combinação e a dose certas de eficácia, eficiência, performance e foco no cliente é que vai ditar quem ocupará mais espaço no mercado.

Alinhar os valores das instituições com as de seus clientes, será que isto está no radar de sua empresa? Está aí um tema relevante e importante para o C level, board e investidores.

E você, está com os seus valores em dia?

(*) Nota de rodapé. Já havia terminado o post quando recebi do amigo Sandro Cé uma mensagem que traz uma perspectiva diferente ao conteúdo e me levou a uma última e nova reflexão. Valor é algo muito subjetivo e pessoal que muda de acordo com o momento pelo qual nos encontramos.  A foto abaixo justifica a afirmação, mas esta abordagem vai ficar para outra ocasião.

 

Boa semana e até a próxima.

 

24
maio

Menos internet e mais cabernet

Nas últimas semanas andei meio sumido pois estava ás voltas com desafios pessoais e envolvido cm um Roadshow para divulgar as novas atividades da Elementa que agora além do Advisory atua ainda no segmento de Coaching, mais especificamente com Life Coaching.

O título do post foi roubado da parede de um restaurante onde me encontrei com uma amiga terça passada. Enquanto ela foi se servir no buffet fiquei cuidando de nossos pertences (laptop, bolsa…) para depois alternarmos as funções. Afinal sabe como é nê? Por mais seguro que o estabelecimento seja, não dá para bobear…. aliás onde vamos parar com a questão da falta de segurança não é mesmo?

Não nos víamos há pelo menos 4 anos e aproveitei aquele momento sem papo e em que o foco era outro para observar o ambiente, decoração e os detalhes do local. Haviam muitas frases espalhadas pelas paredes, mas essa do título em especial me chamou a atenção.

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Parte porque gosto muito de vinho, e parte porque como já explicitado em posts anteriores embora adore a tecnologia, acho que há um exagero no uso dela em momentos totalmente inadequados.

Me identifiquei tanto com a frase que a copiei no jogo americano acartonado, rasguei a tira onde ela estava escrita, enfiei o papel no bolso e levei para casa.

Bem mais tarde e após ter cumprido a agenda “business”do dia, já em casa e de posse de uma taça de vinho, que não era Cabernet, mas sim um Merlot Chileno, me lembrei do papel, saquei ele do bolso e ao relê-lo fiquei pensando em quantas coisas nos passam despercebidas no dia a dia. Muitas delas de potencial importância e relevância, mas que insistimos em sonegar.

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Quantos lugares frequentamos e não aproveitamos verdadeiramente? Quantas pessoas conhecemos, mas ao mesmo tempo sabemos tão pouco sobre cada uma delas, muitas das quais certamente podem agregar muito conhecimento e valor ás nossas vidas. Quantos símbolos, sinais e entrelinhas passam diante de nossos inocentes e despreparados olhos e cabeças diariamente que da mesma forma podem conter pistas para sermos seres melhores?

A reflexão aqui é se podemos combinar o foco e a energia no tema central de uma atividade, porém nos mantendo atentos às demais oportunidades que se apresentam simultaneamente sem perder qualidade em nenhuma delas? Talvez isso passe por apurar nossa atentividade, sensibilidade e estarmos mais abertos ao que está num segundo ou mesmo num terceiro plano.

Já diziam os Chineses que quando desenvolvemos uma atividade, devemos concentrar toda a nossa energia para que ela saia perfeita, mas não sei se isso abrange o tema sensorial.

De uma coisa estou convencido, o vinho definitivamente é mais gregário e útil no processo dessas reflexões do que a internet, pelo menos para mim.

Saúde! Boa semana, e até a próxima.

 

26
abr

Desconforto

Aqui bem perto de casa tem dois prédios residenciais para idosos. Embora nunca tenha entrada neles, sei que são equipados e especializados no trato da terceira idade que precisa de cuidados especiais. Um tipo de asilo urbano, um tanto quanto mais sofisticado.

Convivo diariamente com a rotina de ambulâncias, de enfermeiros e cuidadores subindo e descendo a rua em grupos na mudança dos turnos. Com alguns mais conhecidos troco cumprimentos, afagam nossas cachorras e trocam ideias superficiais, mas nunca falamos dos pacientes.

Observo que aos finais de semana e em alguns feriados o movimento de visitas por parte dos familiares aumenta, mas na grande maioria dos casos, o que vemos é tristeza no olhar daqueles “internos” que por vezes estão tomando um ar fresco naquela que parece ser a única área externa do prédio. Por mais bem estar que seja oferecido, para mim que sou leigo e que não precisei e espero não precisar fazer uso deste tipo de estabelecimento para nenhum ente da família, tem um ar de confinamento.

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Converso semanalmente com 2 idosos que frequentemente estão na frente de um dos prédios pois o horário deles coincide com a caminhada que dou com as cachorras. Mesmo felizes com aquele papo frugal, aquele cumprimento rápido, percebo além da tristeza descrita acima, uma falta de perspectiva em ambos. A sensação que dá é que estão ali contando os dias e esperando a morte chegar. Justamente por isso é que procuro conversar um pouco e dar um mínimo de alento ou esperança a eles, se é que isso é possível.

Fico me perguntando o que se passa atrás daquelas paredes e confesso que sinto uma certa angústia pelos idosos.

Domingo 24/03 ao final do segundo e emocionante jogo da semifinal do campeonato Paulista de futebol sai para dar a tradicional volta do fim do dia com as cachorras. Estava feliz e de alma lavada pois o meu time que havia sido derrotado no dia anterior por um competente oponente cuja folha de pagamento inteira paga o salário de apenas 1 jogador do meu, vira seu arquirrival cair também, nos pênaltis, após eletrizantes minutos finais da partida em que tudo, simplesmente tudo poderia acontecer.

Estava lá andando e pensando no jogo quando comecei a ouvir gritos de um dos prédios dos idosos. Eram gritos de um senhor pedindo “pelo amor de Deus!”. Gritos que diferentemente das outras vezes não pararam de forma rápida. Me deu um mal-estar imediato e uma vontade de entrar para saber o que estava acontecendo. Tenho certeza de que lá trabalham pessoas competentes, treinadas e que o objetivo principal é gerar bem-estar e qualidade de vida aos idosos.

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Não segui meus instintos, mas até o presente momento estou com um enorme desconforto.

Fazendo uma pequena analogia do conteúdo acima e trazendo isso á cena corporativa me veio em mente a recorrente ideia de que as empresas são feitas de pessoas.  Todas elas têm seu ciclo dentro da corporação que muitas vezes se parece com o prédio dos idosos, bem equipado e com gestores tecnicamente qualificados e competentes, mas que nem sempre sabem cuidar do que é mais sagrado.  As pessoas!

Outra semelhança está nos ditos “internos”, quantos colaboradores você conhece na sua ou em outras corporações que estão infelizes, tristes e que não se arriscam a uma mudança por comodidade, insegurança ou até mesmo por falta de opção?!

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Quantos pedem por socorro, seja em forma de treinamento, capacitação, mais responsabilidade, mais engajamento, liberdade para agir, produzir e performar?..

Semelhanças entre os dois quadros tem demais, basta regular bem as lentes da verdade.

E você caro leitor, como esta você, feliz, ou acomodado por falta de opção esperando a morte chegar?!

Fica mais essa provocação e reflexão e nesse ínterim que tenhamos todos uma ótima semana.

 

 

 

12
abr

Dicotomia

Semana passada recebi de uma prima um arquivo em power point divulgando um desses cruzeiros “super dooper” da atualidade.

Tive um certo saudosismo pois o navio faz parte da mesma empresa daquela pela qual viajei na minha lua de mel.

O navio anunciado conta com uma lista infindável de opções de entretenimento e gastronomia, usam da mais alta tecnologia disponível, tudo do bom e do melhor para impressionar, encantar, deixar os passageiros e clientes felizes. Guardadas as respectivas proporções estamos falando de um Titanic da atualidade.

Enquanto eu olhava maravilhado as fotos dos slides e lia encantado detalhes sobre o cruzeiro, de súbito me vieram a cabeça duas questões: 1- Quanta opulência junta; 2- Será que é preciso tudo isso para ser feliz?

Antes de continuar o raciocínio e fazendo um “short cut”, sim! se eu pudesse e tivesse condições gostaria muito de conhecer e fazer este cruzeiro, sim! gosto de dinheiro e de coisas boas e não! , não tenho vocação para ser uma Madre Teresa de Calcutá ou outro exemplo de abnegação total.

O ponto é que com o atual cenário brasileiro em que contabilizamos oficialmente 9 milhões de desempregados, (cuja escalada está numa ascensão e sem perspectiva de melhora), num mundo com tantos movimentos migratórios críticos em consequência de guerras, fome, intolerância religiosa, com tanto desvio de verba pública impedindo acesso a alimentos, educação, saúde e o mínimo de infra estrutura social, não dá para ficar alheio e se fechar numa redoma de Disneylândia.

Isso posto, é duro mas preciso encarar a realidade e admitir que existem mundos bastante diferentes no mesmo planeta, em que pese, na maioria dos casos as coisas melhores são para poucos, muito poucos. Creio que isto reforça o fato de que existe um longo e importante exercício para que a humanidade repense num melhor modelo para a redistribuição de renda. Não defendo aqui que o ganho honesto tenha que ser repartido, mas sim de que a prioridade seja na formação e na educação, pois seres mais capazes terão mais oportunidades, pensarão em novas alternativas e tenderão a formar um modelo econômico mais inclusivo e justo.

Admiro o mercado de luxo, o da ostentação nem tanto e é provado que um não precisa vir necessariamente atrelado ao outro. Creio que este mercado tem espaço, é necessário, tem muito futuro e que jamais deixará de existir, entretanto penso que os abismos entre ele e os outros mundos mais populosos deveriam decrescer e se tornar menos abruptos.

Já que começamos pelo tema cruzeiro marítimo, me permito concluir o post com uma saudação de outra trupe dos mares, a dos velejadores. Bons ventos, boa reflexão e ótima semana a todos.