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Administração do tempo II

No post intitulado Administração do Tempo I publicado em 09 de Setembro passado tratei da importância de se ter um hobby e de seus benefícios e implicações, desta vez gostaria de tratar de outro tema aparentemente fora da curva central do título: Como administrar àquela hora quando é para não se fazer nada? Você não entendeu? Meu ponto é: Como administrar o ócio?

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Num mundo que gira numa rotação louca, em que temos muito menos controle sobre as coisas do que imaginamos, em que estamos sempre correndo para tentar fazer caber as atividades dentro das limitadas 24 horas existentes do dia, não nos permitimos parar. Mas porquê?

Além de estarmos muito preocupados com o que pensam aqueles ao nosso redor, parece que existe uma cobrança interna que dita que temos que estar constantemente ocupando nosso tempo com coisas produtivas, que de produtivas, muitas vezes nada tem. Chegamos a fazer tarefas simples, inócuos, fúteis, pelo simples fato e justificativa de estarmos fazendo algo, e o pior, temos orgulho disso.

Minha primeira experiência com essa situação ocorreu há uns 25 anos atrás quando eu estava em Cachoeiro do Itapemirim no Espirito Santo fazendo um trabalho num hotel fazenda. O lugar era de uma paz inacreditável, mata natural, lago, rio, infraestrutura aconchegante e acolhedora e um staff de uma simpatia ímpar. E para melhorar, estava vazio pois era meio de semana e na baixa estação. Minha função era conhecer a propriedade a fundo e ao final sugerir uma estratégia para melhorar a ocupação.

Ao todo devo ter ficado lá por uns 5 dias e pasmem, com todo esse cenário descrito acima eu simplesmente não conseguia relaxar. O ápice dessa loucura aconteceu num dia ensolarado quando fazia uma caminhada na mata para chegar ao observatório de pássaros. Estava sozinho. Parei ao pé do rio para me refrescar pois estava muito quente, sentei numa pedra e depois de uns 5 minutos sentado ali de olhos fechados, sentindo o sol e ouvindo o barulho da água, levantei já incomodado por não estar fazendo algo ativo e retomei minha caminhada. Doentio não?

Ter ficado ali mais 10, 15 até 30 minutos aproveitando aquele momento único certamente teria feito meu dia e minha vida ficarem melhores, porém e por uma razão desconhecida aquilo me incomodou profundamente e me fez rever alguns conceitos. De lá para cá venho sendo menos rígido e mais permissivo em ter ou mesmo criar estes momentos tão importantes.
Não fazer nada me permite ficar comigo, estar atento a quem eu sou, contemplar e agradecer as coisas boas da vida, tratar do fluxo de minha energia. Coisas que no dia a dia, tradicionalmente pouco se faz. O interessante é que quanto mais se pratica, mais essas pílulas podem ser inseridas no cotidiano trazendo enormes benefícios. Aprendi inclusive que não é necessário ter um silêncio sepulcral nem um ambiente paradisíaco para exercer estes ricos momentos.
E você, qual foi a última vez que sentou para ver a grama crescer?
Curioso é que até agora eu não havia escrito meu post e estava conformado em pular uma semana já que não tinha tido inspiração para escrever nada, e aí o que aconteceu? Chego ao escritório e faltava energia. Sem internet, telefone, atividades eminentes a realizar e como já havia tido alguns bons momentos de não fazer nada durante o feriado, saquei meu laptop e comecei a escrever. O post fluiu naturalmente de uma forma muito prazerosa, quase tanto quanto não fazer nada. Coincidência? Acho que não, confluência de energias, mas aí já é tema para outro post.

Boa semana, boa reflexão e permita-se não fazer nada de vez em quando, espero sinceramente que goste, que pratique e que se beneficie tanto quanto eu me benefício da prática.

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